Estrada de terra
Planalto deserto
Uma pintura que se mistura
Ao céu azul, incerto
Nuvens no ar
Silêncio é sentimento
Beleza contínua
Neste caminho sereno

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Em círculos repetidos
O azul se sobressai
Como um olhar fixo
E límpido que atrai

O sol faz brilharem
Cores foscas, cintilantes
Separadas, aqui perto
Juntinhas, lá distantes

À canção do profundo azul
Misturam seu som
Cromático, vibrante
Ouvi-lo é tão bom…

 

 

Pelo mar indócil
Sob incerta luz
Neste redemoinho
Um clarão me conduz

Chega-me uma mensagem
Que não consigo interpretar
Ela singrou o mar da vida
Até vir me tocar

Mas preciso inspirar
Para a tormenta sossegar
E só então aquela mensagem
Conseguirei decifrar

 

Siga o caminho em silêncio
E com ternura
Atento apenas à doçura
Da vida, rumo à paz
À alegria simples, pura
E nada mais

Vivencie o dia-a-dia
Na tranquilidade que acolhe
Que surpreende, faz sorrir
E que, cultivada, jamais morre

 

Todo dia vejo o sol, soberano
Na minha janela, brilhando
Parece até que ele me chama
Então, logo salto da cama

Lá bem longe, no pasto,
Vejo o beija-flor em seu repasto
E na cozinha, meu bolo predileto
Com queijo, pão e café preto

Então, saio correndo sem parar
Para em meu cavalo branco montar
Subimos, descemos e galopamos
Por trilhas novas sempre vamos

Paramos ao pé duma cachoeira
Para um banho, mas não sem brincadeira
Deito nas pedras e miro o céu profundo
E, qual pássaro, alço voo sobre o mundo

 

Jantar na mesa
Conversa gostosa
Olho no olho
Paixão saborosa

O amor em nós
Dá sabor, dá o tom
Da canção que dançamos
Bem juntos, como é bom

Nossa união é força
Contra o falso e o feio
Que estão lá fora
Enquanto aqui só há
O verdadeiro

 

Mãe é quem acolhe
E está sempre por perto
E é quem sente a solidão
E quem perdoa com afeto

Mãe mostra os caminhos
E nos insufla energia
É fonte de carinho e conselhos
De disposição e alegria

Também de amor eterno
Para a nossa vida engrandecer
É quem, na noite mais fria,
Sempre vem nos aquecer

 

 

Não quero ser vento ao passar
Busco nesse caminhar
Sem me cansar
De encontro em encontro
Um pouco do meu ser
Não quero ser sombra
Mas em cada olhar
Quero ter um motivo
Uma certeza de que
Passei pela história
E que valeu a pena amar

 

Na calma em que me encontro
Uma paz profunda veio me tocar
O lume vem de dentro
Uma criança em minha alma
Veio acordar
Respiro imaculada emanação
Com vontade de tudo
Poder recriar, inventar…
Há um desejo enorme
De ao melhor, com candura
Sujeitar-me

 

Corpo e mente
Minha essência
É parte do todo
Começo e fim
Tenho este instante
De sensações, ilusões
Surpresas por virem
Transformações…
Solidão, estou aqui
Nada além
Sendo assim
Em mim

 

Perdida nas letras
Não alcanço as palavras
Nas linhas confusas
Não vejo nada
Tudo se mistura
Não entendo como
Fecho e me limito
Me distraio e me perco
No infinito

 

Tempo que não esperei
Palavras que não desejei
Engano que não escolhi
Lugar a que não quis ir
Pessoas que não conheci
Comida que não saboreei
Bebida que não degustei
Lição que não aprendi
Paisagem que não vi
Medo que não senti
Sonhos que não tive
Tudo isso faz parte
De estar aqui, viva!,
Na vida que escolhi.

 

São casas pequenas
De portas abertas
E jardins tão verdes
Caminhos de pedras
De cores diversas
Encantos de flores
Cercas tão baixas
Lareiras, ardores
Um riacho ao longe
Aconchego que espera
E habita essa casa
Canto de silêncio
Que acalma e afaga
E assim componho
O meu sonhado vilarejo

 

Vou subir as montanhas
Invadir seus sonhos
Dançar nas nuvens
Fazer belo o medonho

Vou seguir pelo mundo
E com minhas mãos gentis
Buscar seu amor
Nos instantes febris

 

Cenas da vida…
Muitas são
Sem entrada
E sem saída
Cada uma, seu dito
Sua emoção…
Uma confissão
São simples momentos
Fatos novos ou antigos
Todos importantes
Para entender
Definir a história
Que se constrói
Sua vida…
Minha vida…