Templo para orar

Esvaziar o pensamento

Ancorar o coração

Silenciar os sentimentos

Templo para o tempo

De perceber o fulgor

Que contorna meu ser

E atenua minha dor

Templo para respirar

E recolher ao interior

O alimento bom

Que fortalece o amor

Templo para a alma

Mergulhar na paz

E se banhar na tranquilidade

Que você me traz

Céu azul

Mata verde

Quantos coqueiros altos pude ver

E na pureza das águas

Vim mergulhar

A paz existe neste lugar

Aqui eu senti, pude encontrar

E nessa paisagem

Vim deslumbrar

Parei até para meditar

E nada mais quis pensar

Apenas ar puro pude respirar

Essa poesia não está escrita

Nos livros que li

Está no íntimo que vi

Lá não existe passado

É pleno futuro…

Por tudo que já vivi…

(Escolhi e acolhi…)

Não foi pesadelo nem sonho…

É ingenuidade distante

Nesse longínquo caminhar

Traçado com desenho irregular

Por essa janela

Quantas libélulas 

Vi pousar

Até em casa

Entraram

Foi estação nova

Que veio se pronunciar

Convite ao novo

Ao hoje

Enlace, fragmento

Cumplicidade 

Chegando com o tempo

Com os sonhos

Para criar

Voar 

Onde a imaginação

Me levar

Canários da vida

Simplicidade vivida

Incômodos sentidos

Planos esquecidos

Sentimentos bonitos

Bilhetes surpresas

Cafuné sonífero

Abraço constrito

Careta inventada

Viagem surpresa

Em que tudo foi deixado

Nessa vida inodora

Parecendo perdida

Flores e pássaros vejo

Nesse baile no ar

De surpresas e canções…

Como é doce voar

Vem a brisa boa

E mais longe me lança

Na vertiginosa dança

Dessa estação canora

E quando pousar, vou gravar

As mais belas imagens

No seu coração, que ali vão ficar 

Como carinhosas tatuagens